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Alagoas, 209 anos: independência para quem?

Há, ainda hoje, um debate historiográfico sobre o que motivou o rei de Portugal, D. João VI, a assinar, em 16 de setembro de 1817, o decreto régio que tornou a Comarca de Alagoas autônoma e independente da Capitania de Pernambuco, fundando, assim, a Capitania de Alagoas. Esse debate se divide em duas hipóteses históricas.

Uma primeira vai afirmar que a independência política de Alagoas ocorreu em função da lealdade das elites agrárias alagoanas ao governo imperial desde sempre, principalmente quando aconteceu a Revolução Pernambucana em 1817. Conforme Carvalho (2021), são adeptos dessa visão João Goulart de Andrade (1908), Moreno Brandão (1917), José da Silveira Camerino (1963) e Manoel Maurício de Albuquerque (1968).

Por essa visão o desmembramento de Pernambuco se efetiva como um prémio para as elites do sul desta capitania e como forma de punir os revoltosos pernambucanos.

A segunda hipótese diz que a decisão do poder imperial em separar Alagoas de Pernambuco, tornando-a a Comarca de Alagoas em Capitania independente e com autonomia, tem o seu fundamento na força social e principalmente econômica que o sul de Pernambuco adquiriu ao longo do tempo. Defendem essa perspectiva Manoel Diégues Júnior (1967), Jayme de Altavila (1962), Craveiro Costa (1967) e Dirceu Lindoso (2000).

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Mapa Topographico da parte das Províncias de Pernambuco, Alagoas e Parahiba, 1823. Indicação das estradas. Destaque para as de cores amarela e roxa. Fonte: Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

Em Alagoas estavam as melhores terra de Pernambuco, onde se expandiam as plantações de cana para a produção de açúcar.

De qualquer modo, seja por premiação à lealdade à Coroa portuguesa seja por influxo econômico, Alagoas se tornou independente e autônoma para quem? A escravização de negros permaneceu existindo. As populações indígenas continuaram sofrendo esbulhos e violências.

A Região da Mata, onde Colônia Leopoldina se localiza, continuou sendo vista como territorialidade insubordinada, visão esta que vai ser ampliada com os desdobramentos da Guerra dos Cabanos. Quase 100 anos após os conflitos da cabanagem (1832-1850) a primeira escola pública foi instalada na cidade leopoldinense.

Enfim, Alagoas, em 2026, congrega ainda baixos índices de IDH. O seu sistema educacional é deficiente e a sua elite política continua se envolvendo em casos de corrupção. Milhares de trabalhadores e trabalhadoras sofrem a precarização das condições de trabalho, sem, ao menos, dispor da proteção do Judiciário.

Na verdade, em 1817 ocorreu a independência de um território em favor de uma casta oligárquica que ainda em 2026 reina soberanamente, loteando, nesse período eleitoral, os municípios para se perpetuar no poder.

Foto do Título da Matéria: Edivaldo Júnior (2022).

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